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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Victor e o seu próprio Black Mirror - o poder da contradição

Digamos que você está cercado. Você está sendo metralhado. Não tem um momento sequer que não esteja sendo observado. Mesmo quando está dormindo. Bom, não estou falando de fantasmas ou espiões treinados, mas sim, de pessoas normais em um ambiente comum. OnLine!

Bom, o primeiro questionamento é: como as pessoas notam as outras e como se viram a favor ou contra uma causa ou fato? Seria muito simples buscar resposta nos mais variados livros de sociologia ou psicologia, já que estamos falando de pessoas, mas, como tudo se transforma de acordo com o ambiente e com a agenda settings, é muito mais seguro analisar cada caso friamente. E esse é o grande desafio de todo comunicador!

Na semana passada, Victor, da dupla Victor e Léo foi acusado pela mulher de tê-la agredido. Em pouquíssimo tempo um clamor se formou nas redes sociais e várias pessoas começaram a tirar suas conclusões, do tipo: "Mas, com essa cara de santinho e batendo na mulher?" e "Como pode bater numa mulher grávida" e "Já não posso confiar mais em ninguém" e mais declarações que são impossíveis reproduzir por aqui. De outro lado jornalistas ou pseudo jornalistas comentaram o caso e emplacaram manchetes no país todo apontando o cantor como culpado, logo de cara. 

A série Black Mirror, apontada por muitos especialistas como "a série da década" destaca o mundo de hoje com um olhar perturbador, onde os seres humanos são vigiados e avaliados o tempo todo. A série mostra em episódios, muitas vezes descontinuados, a maneira como a opinião pública e as relações pessoais funcionam em um ambiente não tão diferente como as redes sociais. Por isso fiz a comparação entre o caso Victor Chaves e a série.

Referência da série com o case. A repercussão do caso e o poder da contradição na opinião pública

Esse movimento de julgar tendo poucos ou nenhum fato concreto é normal em casos como esses e forçam as partes envolvidas a tomarem ações resolutivas o mais rápido possível para reverter a situação. Victor, em seu próprio Black Mirror precisou tomar uma atitude rápida que atendesse a todos os seus stakeholders: público da dupla Victor e Léo, sociedade, Rede Globo (pois participa do programa The Voice Kids), familiares e, agora, a polícia. Enquanto tudo se desenrolava na primeira publicação acusando o cantor de se envolver em ato de violência doméstica, a opinião pública se movimentava ao redor de rumores.

No primeiro episódio de Black Mirror uma princesa é raptada e o seu algoz a faz gravar um vídeo pedindo o seu resgate. A exigência do sequestrador é absurda! Ele quer que o primeiro ministro transe com uma porca em rede nacional (isso mesmo que você leu. A série é maluca!). Em pouquíssimo tempo eles precisam tomar uma decisão e o impasse é criado (obedecer ou não obedecer as exigências? Como vamos salvar a princesa?). No primeiro momento eles tentam procurar o bandido e não realizar o pedido, mas, tudo dá errado e, enquanto isso, a opinião pública fica, em sua maioria, ao lado do parlamento e não apoia a ida do primeiro ministro ao estúdio para realizar o ato. Mas, o tempo passa e o prazo vai se esgotando e, assim, as pessoas mudam de posição, uma vez que a vítima está em perigo e tudo que elas sabem é que ela pode morrer se a exigência não for cumprida.

Frame da cena de Black Mirror - pressionado, o primeiro ministro aceita a condição do sequestrador

Poxa! Mas, você está comparando o caso do cantor com um sequestro e a exigência de um sequestrador que pede para alguém transar com uma porca? Não juvena! Isso foi só pra lembrar como a opinião pública é volátil. Totalmente dependente das atitudes tomadas e da imagem refletida pelos formadores de opinião (a velha retenção seletiva).

Falando do caso Victor, em pouco tempo, uma carta aparece e Poliana, mulher de Victor, publica uma carta desfazendo o mal entendido e isso é o suficiente para outra movimentação pública aparecer. Muita gente xingando a mulher e acusando-a de querer manchar o nome do cantor. Outras pessoas ainda, em comentários nos principais veículos de comunicação pedem para que o marido a espanque de verdade por ter faltado com a verdade. Uma verdadeira contradição!

Pronto. Esse é o ponto!

Não estou aqui para falar do teor da carta ou analisar se foi ela quem a escreveu ou não. Não estou aqui para dizer qual a parte correta da situação ou se a persona que temos do cantor Victor foi desfigurada no episódio, uma vez que não sou perito e não sei o dia a dia dos envolvidos. 

A contradição aqui é (e sempre será) o público. Em algum momento a porca pode ser usada para salvar alguém e, em outro momento, nunca. "Mas, nunca mesmo que vamos usar a porca!". Ou, no caso ocorrido... mas como ele foi capaz de fazer uma coisa dessas com uma mulher grávida? E, em outro momento... "nunca, mas, nunca mesmo que o Victor seria capaz de fazer isso com a mulher!". 

O caso agora segue com olhar especial da imprensa especializada em fofoca, segue com olhar especial da polícia e da Globo que, para blindar sua imagem soltou comunicado no último domingo, por meio do seu apresentador, André Marques. A Globo ainda decidiu continuar com a atração e, em um esforço de edição não mostrou o cantor Victor Chaves no seu último programa - a ação teve o objetivo de resguardar ambos os lados, até que o caso/a contradição se resolva.

Comentário publicado no domingo, durante o programa The Voice Kids: Exaltei o profissionalismo da Rede Globo em lidar com o caso e, assim como neste artigo, não utilizei linguagem beneficiando este ou aquele. Apenas fatos. Uma verdadeira aula de comunicação! 




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